Mestre da Luz

por - 06:39



Muitos filmes fizeram sucesso ao longo da história do cinema pela fotografia apurada. Um deles, sem dúvida, foi "A Noite", filme de 1960 dirigido do diretor Michelangelo Antonioni. A trama do filme decorre em uma única noite. Giovanni, interpretado por Marcello Mastroianni e Lídia, interpretada por Jeanne Mureau, vão a uma festa da alta sociedade milanesa, onde Giovanni, celebrado escritor, possui diversos admiradores.
Dessa premissa Antonioni passa a uma análise dos sentimentos de amor, traição e reconciliação entre Giovanni e Lídia, e o relacionamento que surge entre o escritor e a filha de um magnata. Revela-se o tema do filme: o vazio existencial.

Antonioni rodou o filme em Milão e fixou sua atenção sobre os meios industriais e intelectuais da populosa cidade italiana. Mesma cidade que serviu de cenário a outra grande obra do cinema italiano: "Rocco e seus Irmãos", de 1960, de Luchino Visconti.

A direção de fotografia ficou a cargo de Gianni Di Venanzo, que também trabalhou em outros filmes de Antonioni, como "O Grito", de 1957 e "As Amigas", de 1955. A narrativa de "A Noite" é ilustrada em uma fotografia em preto e branco das mais belas da história do cinema, onde cada plano parece um quadro minuciosamente pintado pela direção de arte e iluminação brilhantes.

Na primeira parte da narrativa temos uma iluminação quase neutra, sem grandes contrastes. A partir da volta de Lídia para casa a iluminação passa a ficar mais escura, até chegarmos ao alto contraste que ocorre durante a festa. Além disso, são realizados cortes suaves e utilizados alguns ângulos ousados para a época. Cada cena parece ser cuidadosamente desenhada, promovendo uma plasticidade incrível ao filme.

"A Noite" faz parte de uma trilogia que inicia com "A Aventura", de 1959 e "O Eclipse", de 1961. Conhecida como a "trilogia da incomunicabilidade", acabou se tornando um rótulo de Antonioni. Ele se recusou a filmar dentro das regras tradicionais, ultrapassou a linguagem formal, transformou a forma da narrativa em uma obra de arte.

Outra característica marcante é o pouco diálogo na trama. Temos também grandes planos sequência que seguam as personagens. Um estilo que se caracteriza pelas tomadas longas, estabelecendo um topo de anti-narrativa.

Antonioni consegue reunir Jeanne Moreau e Mônica Vitti, as duas atrizes que melhor souberam expressar as facetas da mulher moderna, a mulher contemporânea dos anos 60, e Marcello Mastroianni, ator italiano considerado um dos melhores de todos os tempos.

Michelangelo Antonioni, nascido em 29 de setembro de 1912, começou como crítico de cinema em 1935. Sua filmografia marcou seu tema central, os problemas da consciência como problemas de reflexão diante do mundo. Antonioni faleceu com 94 anos de idade, em 30 de julho de 2007, mesmo dia em que faleceu Ingmar Bergmann, mas deixou sua marca na história do cinema com essa obra prima da imagem em movimento.



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