13/06/2017

Linguagem Cinematográfica: Planos e Ângulos

Classificação dos Planos segundo a distância entre a câmera e o objeto filmado:


Grande Plano Geral (GPG): planos bastante abertos, com a função de situar o espectador no ambiente em que a sequência irá se desenvolver.

Plano Geral (PG): possui a mesma função do GPG, mas, de forma um pouco mais reduzida. Pode ser difícil identificar a presença dos personagens logo de cara.
Plano Geral Aberto (PGA): utiliza-se da mesma mecânica do Plano Geral para mostrar um ambiente que é muito grande, onde a presença do personagem ou da ação não é tão importante. Dessa forma, o plano adquire valor dramático, destacando a solidão, por exemplo. Mas é também um plano descritivo.

Plano Conjunto Aberto (PCA): enquadra um cenário, contextualizando o local onde ocorre a cena e mostra quais personagens participam dela.

Plano Geral Fechado (PGF): é utilizado para mostrar a ação do ator em relação ao cenário onde a sequência está sendo gravada. Tem a função de mostrar a interação do personagem com o ambiente em que está inserido.

Plano Médio (PM) ou Plano Inteiro: um único personagem é enquadrado da cabeça aos pés, deixando pequeno espaço acima da cabeça e abaixo dos pés, mas mostrando um pouco do cenário pelas laterais. É um plano onde interessa principalmente a ação. Tem um valor narrativo, mas começa a obter potencial dramático.

Plano Americano (PA):  mostra o personagem dos joelhos para cima, dando mais ênfase a ele do que ao cenário. Tem valor narrativo e dramático. 

Primeiro Plano (PP): o personagem é enquadrado do peito para cima, para mostrar características, intenções e atitudes do mesmo. Tem valor dramático ou expressivo.

Meio Primeiro Plano (MPP): o intermediário entre o Plano Americano e o Primeiro Plano, tem os mesmos objetivos destes dois planos, mas focaliza o personagem da cintura para cima.

Primeiríssimo Plano ou Close-Up: mostra o rosto inteiro do personagem, definindo a carga dramática do ator. Também pode ser usado em objetos e ações, por exemplo: Uma mão pegando o telefone. Tem maior valor dramático ou expressivo. 

Plano-Detalhe (PD) ou Cut UP: enquadra uma parte do rosto ou do corpo. Também usado para objetos pequenos, como uma caneta sobre a mesa, por exemplo. Um dos objetivos desse plano pode ser intensificar enfaticamente a carga dramática de uma sequência, ou, enfatizar ações e objetos que não ficam muito evidentes em uma cena com um dos outros enquadramentos.

Over the shoulder (OS): caracteriza-se por uma câmera sobre o ombro de um ator.Ângulo muito utilizado como contra-campo e para estabelecer o que o personagem está vendo. Também é bastante usado em entrevistas. No Cinematográfico há um post sobre "O Conceito de Planos Correspondentes", para compreender em profundidade a função do over the shoulder.

Classificação segundo a duração do plano

Plano relâmpago: dura menos de um segundo, correspondendo quase a um piscar de olhos. Há também planos que duram um pouco mais.

Plano-sequência: é um plano tão longo que  pode corresponder a uma sequência inteira de um filme. Assista uma análise dos planos-sequência de Steven Spielberg. Ative as legendas em português, caso precise.



Classificação de acordo com os ângulos


Ângulo vertical

Câmera Zenital ou Plongeé Absoluto: a câmera é colocada no alto do cenário, apontando diretamente para baixo. É um ângulo que denota fraqueza, humilhação, insignificância, dependendo da sequência de imagens que você está gravando.

Fonte: http://bit.ly/2soUmOF

Câmera Alta, Picado ou Plongée: a câmera está posicionada acima do objeto filmado, em um ângulo superior, enquadrando de cima para baixo e dando a impressão de achatamento ou inferioridade.

Fonte: http://bit.ly/2soUmOF
Ângulo Normal: a câmera está situada na mesma altura do olho do ator, vendo o ambiente como este.

Fonte: http://bit.ly/2soUmOF
Câmera Baixa, Contra-Picado ou Contra-plongée: câmera colocada abaixo do objeto faz com que o espectador veja a cena de baixo para cima. Ao contrário da câmera alta dá a impressão de superioridade, denota poder. Transmite a força do personagem. Quanto mais perto do personagem, mais dramatismo.

Fonte: http://bit.ly/2soUmOF

Câmera Contra-Zenital ou Contra-Plongeé Absoluto: a câmera aponta diretamente para cima.

Fonte: http://bit.ly/2soUmOF


Ângulo horizontal


Frontal: é o plano em que a câmera filma o personagem ou objeto de frente, à altura dos olhos. Dá ideia de igualdade entre a personagem e o espectador.

Fonte: http://bit.ly/2d2AgS1
Lateral ou perfil: a personagem é vista de lado. A câmera forma um ângulo de aproximadamente 90 graus com o nariz da pessoa filmada. O perfil pode ser feito à esquerda ou à direita.


Fonte: http://bit.ly/2d2AgS1

Traseiro ou de Nuca: a personagem é vista por trás. A câmera está em linha reta com a nuca da pessoa filmada.

Fonte: http://bit.ly/2d2AgS1

Plano de 3/4: ângulo intermediário entre o frontal e o lateral, assim chamado porque mostra aproximadamente ¾ do rosto do personagem.  A câmera forma um ângulo de aproximadamente 45 graus com o nariz da pessoa filmada. Essa posição pode ser realizada com muitas variantes.

Fonte: http://bit.ly/2d2AgS1


Outros ângulos de câmera



Câmera na diagonal: Gera um desequilíbrio na imagem criando uma tensão interna. É usada para revelar estados de desequilíbrio.


Fonte: http://bit.ly/2soUmOF


Câmera Subjetiva: muito utilizada em cenas de deslocamento do ator, em que a câmera na mão do operador assume o ponto de vista do ator em movimento. Ângulo utilizado para expressar a visão do personagem, sua maneira de ver o mundo e as ações que o cercam.

Fonte: http://bit.ly/2soUmOF

Câmera objetiva: simplesmente mostra o que acontece na sua frente, sem identificar-se com qualquer personagem em particular.

Segundo o projeto Primeiro filme, a combinação do PLANO, da ALTURA DO ÂNGULO e do LADO DO ÂNGULO determinará o seu ENQUADRAMENTO. Alguns exemplos abaixo. No site você pode ter mais informações.


Meio primeiro plano, contra-plongée, ¾.

Plano americano, contra-plongée, quase perfil



Para enriquecer seu entendimento acerca da linguagem audiovisual recomendo ler com atenção os dois artigos escritos por Fábio Luis Rockenbach, jornalista, crítico e especialista em cinema e linguagem audiovisual e professor dos cursos de Jornalismo, Artes e Publicidade da UPF-RS:

Como realizar uma análise fílmica?

Como ler um filme?


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