Financiando seu Projeto Audiovisual

por - 10:47

No post anterior, "Como tirar o Roteiro do Papel?", ficou claro que as produtoras audiovisuais precisam montar um plano de negócios, onde são descritas, entre outras informações, as formas de financiamento dos seus projetos. Mas que mecanismos de financiamento para o audiovisual existem no Brasil? Onde as produtoras conseguem recursos para realizar os projetos?

Debora Ivanov, sócia da Gullane Entretenimento de 2000 a 2015 e integrante da diretoria colegiada da Ancine desde outubro de 2015, detalha os incentivos fiscais para a produção audiovisual brasileira.


Como as Produtoras Independentes tem acesso a esse dinheiro?

A Ancine é a agência reguladora da atividade audiovisual no Brasil. Portanto, todas as produtoras independentes precisam se cadastrar como agente econômico na Ancine. É esse registro que permite fazer uso dos mecanismos de financiamento administrados pela Agência e solicitar o Certificado de Produto Brasileiro (CPB) para as produções.

No site da agência você encontra o passo a passo para fazer os diversos registros necessários, acesse-os abaixo:

– Manual de Requerimento de Registro de Agente Econômico na ANCINE
- Sistema Ancine Digital( manuais passo a passo)

Ao cadastrar uma empresa (constituir o CNPJ) é preciso escolher o tipo de atividades econômicas que a pessoa jurídica irá desempenhar. Essas atividades estão catalogadas pelo IBGE na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). Para a aprovação de projetos a Ancine pede que a pessoa jurídica tenha pelo menos um dos seguintes CNAEs: 

* 59.11-1/99 - Atividades de produção cinematográfica, de vídeos e de programas de televisão não especificadas anteriormente;
* 59.11.1/01 – Estúdios Cinematográficos; 
* 59.11.1/02 – Produção de Filmes para Publicidade;

Os roteiristas que constituem CNPJ precisam do CNAE 90.01.9/99 - Artes cênicas, espetáculos e atividades complementares não especificadas anteriormente. Na subclasse do mesmo estão incluídas, entre outras, as atividades de elaboração de roteiros de teatro, cinema, etc. Para mais informações sobre CNAEs, acesse o portal Produtor Antenado.

Fundo Setorial do Audiovisual



Conheça em detalhes o Fundo Setorial do Audiovisual acessando seu site onde há uma apresentação clara e didática sobre esse mecanismo de financiamento.

Para ter acesso ao FSA não é necessário que o projeto audiovisual já tenha sido habilitado pela Ancine. De acordo com Paulo Alcoforado (Superintendente de Fomento da ANCINE), no Seminário sobre as linhas de Desenvolvimento do Fundo Setorial do Audiovisual, projetos já habilitados pela Ancine só poderão ser apresentados ao FSA antes de passarem pela Análise Complementar, do contrário, sua apresentação é vedada.  

Dessa forma, empresas produtoras cadastradas como agentes econômicos na Ancine podem apresentar seus projetos nas linhas de financiamento do FSA. Link para Apresentação de Projetos - Fundo Setorial do Audiovisual.

Dica boa: existe um resuminho sobre o FSA feito pelo Marcio disponível no Google Drive: https://drive.google.com/file/d/0B8tE...

Caminho que segue o projeto desde a apresentação de Proposta pelo proponente até a prestação de contas.

Muitas produtoras de conteúdo não estão habituadas a lidar com os mecanismos de financiamento. É interessante contratar um produtor cultural, contador ou advogado especializado nos mecanismos de fomento para trabalhar na captação dos recursos.

Associação dos Produtores e Cineastas da Bahia – APC, entidade que congrega profissionais e empresas produtoras de conteúdo audiovisual no Estado da Bahia divulgou em seu canal no youtube uma série de vídeos sobre:

* Análise de Direito no Audiovisual;
* Orçamento, Objeto e Acompanhamento;
* Execução de Despesas e Prestação de contas.

Quem deseja compreender todo o processo de habilitação até a prestação de contas pode acessar todas as palestras clicando AQUI

Financiando com Branded Content

Mônica Herculano escreveu sobre a boa onda do Branded Content na Revista de Cinema: 
"A expansão do mercado de TV, com diversas modalidades de recursos, também atingiu um setor da produção independente que une publicidade, produção e canal, o chamado branded content, ou seja, um modelo de produção patrocinado pela marca de um produto."

Ela destaca a fala de João Daniel Tikhomiroff, fundador e sócio-diretor da Mixer: 
“O filme ‘Náufrago’ foi concebido como roteiro, não foi uma encomenda da Fedex, mas é um dos maiores exemplos da história de branded content. É um longa que teve roteiro original da equipe do Steven Spielberg, mas que perceberam que seria ideal para uma marca como a Fedex. Então, conversaram com o presidente da empresa, que na época estava falindo, e isso acabou sendo a grande virada da marca”.

Mônica também comenta sobre a série “Mothern”, produzida pela Mixer: "... não foi concebida por uma marca – no caso, a Unilever. Os produtores levaram ao canal GNT a proposta de que a empresa poderia estar presente não com product placement, mas como conceito de marca. “A própria Unilever não quis que o produto (Omo) aparecesse. Eles acharam mais forte, e é mais inteligente de fato, mostrar o conceito de marca integrado na história. Quanto mais sutil, melhor.”

No site da Moro Filmes há ainda a menção há outro modelo de branded content:
"Um dos grandes marcos de Branded Content no cinema, foi a emblemática personagem de Audrey Hepburn, no clássico “Bonequinha de Luxo”, os belos figurinos utilizados pela atriz são da marca Givenchy e este dado é citado nos créditos do filme. O que gerou uma linha específica da marca, até hoje conhecida pelo título do filme. Assim nos créditos da obra consta a informação Audrey Hepburn veste Givenchy."

 Carla Affonso, CEO da Cygnus Media, cita outro exemplo: 
"Os anunciantes têm buscado aumentar seu caminho para dentro do conteúdo, e posso exemplificar com um case de sucesso: o programa de meia hora Um, Dois Feijão com Arroz, encomenda da Discovery, criada e produzida para a Camil, com supervisão da Leo Burnett. São várias formas de apresentar a marca em um programa sem que necessariamente precisemos transformar o programa em um super comercial. Os atributos da marca e seus valores permeiam todo o conteúdo."

André Castilho, CEO e roteirista da La Casa de la Madre escreveu o seguinte artigo na Revista Medium: O dia em que o branded content alcançou a Sétima Arte - Como um curta produzido para a LATAM Airlines chegou a Hollywood, recomenda-se a leitura. 

Dicas de Mercado: Distribuição, VOD e venda internacional

Em alguns mecanismos de financiamento do próprio FSA a distribuidora ou a programadora é a proponente, mas a verba pode ser oferecida para produção de conteúdo. Alguns canais e players específicos também participam da produção com aporte financeiro.

Dica do Imprensa Mahon: "Uma vez ouvi o seguinte: você não precisa saber de tudo, basta se juntar com quem sabe aquilo que você não sabe. A Sa sabe muito, sabe horrores! Contato com os maiores players internacionais, co-desenvolvimento, parceria via FSA para ficção, documentário, animação e séries, o que funciona para o mercado internacional e/ou para o brasileiro, a mulher que mais saca de distribuição está entregando o ouro nesse video."



Incentivos Estaduais

Cada estado pode contribuir com meios específicos de incentivo a cultura. No Rio Grande do Sul foi criada a Lei de Incentivo à Cultura (LIC), por meio da Lei 10.846, de 19 de agosto de 1996. Outros meios de financiamento público para projetos culturais no Estado são o Pró-Cultura e o Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Confira como funciona cada um deles no link abaixo, publicação do jornal universitário Beta Redação, da Unisinos. 

Como funciona o incentivo à cultura no Estado


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