Documentários, aqueles filmes chatos...

por - 10:15

Tenho uma confissão a fazer. Quando entrei na Universidade para cursar Comunicação Social com ênfase em produção audiovisual, tinha preconceito acerca dos filmes documentários. Acreditava naquela ideia "documentários são filmes chatos". Os enxergava como um tipo de produção sem possibilidades, condenada a captação de entrevistas e imagens óbvias. O tipo de filme que eu não gostaria de realizar.

No último semestre do curso era necessário produzir e entregar um projeto audiovisual ficcional ou documental. Imaginei que produziria um curta-metragem ficcional, já que os documentários não despertavam a minha atenção. No entanto, o último semestre bateu à porta e eu não tinha a menor ideia do tipo de projeto que desenvolveria. Não conseguia pensar em nada.

Dois meses antes minha irmã me convidara para visitar um luthier em Caxias do Sul. Ele daria aulas para meu cunhado. Acompanhei os dois e vi de perto a construção de um instrumento musical. Lembro-me que quando lá cheguei e conheci o luthier Agostinho e sua família, senti a atmosfera do lugar, ouvi as histórias e vi a forma como aquele artesão lidava com sua arte, me apaixonei!

Voltei para casa com aquela sensação "essa história deveria ser contada". "Alguém tem de registrar isso". Mas era eu quem estivera lá, quem tinha recebido a oportunidade de conhecer aquela história.  E como isso não saiu da minha cabeça e eu precisava começar a desenvolver o projeto final da universidade, abracei a ideia de realizar um documentário.

Falei com Agostinho e sua família, que prontamente aceitaram o desafio. Eles me mostraram um webdocumentário que viam como referência, The Art of Making, Alma Flamenca, dirigido por Spiros Rasidakis e Dimitris Ladopoulos.


Nesse webdocumentário percebi que poética e documentários podem andar juntos. Comecei a estudar várias outras obras e aprofundei minhas pesquisas, começando pelo livro Direção de Documentário, de Michael Rabiger (considero esse a Bíblia do documentário). Aprendi que há um universo a ser descoberto nas obras documentais, que extraem da realidade sua matéria prima, mas não possuem regras fixas e quase nenhum limite de criação, o que é fascinante!

De toda pesquisa e aprendizado nasceu o projeto Artesão do Som, filmado em parceria com a produtora For/TV filmes. Considero um projeto de grande valor e bem sucedido, apesar das dificuldades de uma estudante. Mudou minha forma de ver os documentários. Agora entendo seu valor e conheço um número suficiente deles para saber que não são feitos apenas de entrevistas e imagens óbvias. Há exemplos fantásticos para citar: Elena, Chef's Table, A Todo Volume, GMO OMG, O Mercado de Notícias, enfim, esse são da minha lista de favoritos.

Deixo abaixo meu documentário, Artesão do Som. Ele também está disponível no catálogo do site Curta o Curta. Espero que seja apreciado pelas belas lições que Agostinho e os convidados revelam sobre o dia a dia de um artista e artesão que tem um carinho e dedicação imensos pela sua arte.




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